Poemas

bilhete ao abissal

suicide

Montagem com fotografias de Robert Wiles e Andy Warhol.

pra que fingir ou ensaiar do lado de lá do abismo?

também eu levo tão pouco

a bagagem é matéria viva

o momento não precisa de poesia pra ser mais bonito

a poesia é o momento

a poesia é a faca que talha o corpo quando já não há mais carne.

 

Juliana Carvalho

 

 

a última imagem

 

Qual seria a imagem, a última?
Guardada nos teus olhos,
puta chinesa,
abatida pelo vento
da manhã, num campo
vasto, a vida
toda guardada na retina,

chinesa

letras duplas,
na tela desfocada do filme,
dobras, duplos, dados do acaso
imagens agarradas
na pele dos olhos,
nas pupilas, o que levas?

 

Ana, agosto, 2014

 

 

Dispneia poética

 

(máquina do mundo emperrada)

Pois se nunca mais

ESCREVERIA UMA FRASE

E o poema tivesse deixado

a ver por trás

raso chão iluminado

Como se vida e vida

por gotas às vezes fizesse o passo

mais longe.

E o coração obstinado retrocedesse

a ponto que

qualquer escolha

tivesse seriedade ou leveza

de um gesto

suicida.

Se esticasse o braço ou

punho

em gesto antigo de um negro

e assim visse toda sua vida

no ponto neutro

morto

daquele carro subindo

uma ladeira

até que a frase a tivesse abandonado

de vez.

E o poema

calado.

 

 

ana chiara . 4 de agosto 2014

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