Ontologias do ocidente

lacan sonha lacanagens, sonha o mais ainda, o furo do real por onde alice sorverteu num mundo enigmático sem mamãe, sem papai, sem complexos nem refoulements. lacan sonha azul de metileno. um mergulho sem ar, lacanformas embrionárias e trocadilhos, disparates para os analistas enfeitiçarem seus bichinhos. calma, queridos, eu tenho a chave do seu cofrinho, do seu potinho, do seu cachepotzinho, e, ao final do tratamento psicotrópico eu te devolverei a ti. eu sou o bigboss do seu inconsciente, esse segredinho de merda que vc esconde entre as pernas e o teu coração. sou a resplandência, a incandescência, o outro que te aguarda ao final da última sessão com ou sem recibo.

mira,  querido, o olho que te olha fundo e no fundo. ele te faz perguntas sem resposta. talvez te pergunte se te sentes traído por ter acreditado que,puig sim, agora ia. mas não foi. ele te esconde talvez no punho a carta proibida do destino latinoamericano. ele te olha como um amante que te abandona no meio de um arco histérico de gozo consumista. puig pinga. como um caralinho voador, no punho de puig um punhal: a crença. mira o puig te mirando, hermano. un rato e tudo sai de cena, tudo desmonta, a casa cai, a lama te engole, mas acreditas ainda. com a graça de deus no que virá, no devir.

embaixo hélio não te deixa respirar. ele te suga dizendo um pouco mais te índiati, amor. tua porra é pouco,teu suor é pouco, teu corpo, é pouco, teu trabalho é pouco, quero mais parangolé, te enrolo e te largo na estrada. te puxo o tapete querido, esta é a bioescrita de um rapaz latino americano. este é o nosso desastre, nossa bioescrita escalofobética, este o destino, o declínio, o delcídio, o dissídio, cheirasse um kilo de pó e ainda serias só marginal, nunca herói, só um cara latinoamercano sem dinheiro no bolso. uma cosmococa sem ninho, sem tropicália . olha bem, amor, quem te mira te põe na mira. tem uma coisa apontadada pro teu peito. olha, me dá mais um pouquinho, me dá a tua vida e tua morte. sou teu paizinho, tua maezinha, tua pátria educadora, a cunha enfiada no teu cu.
[ana chiara]

 

 

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