Veja as fotos do nosso simpósio “Bioescritas: vida, arte, literatura na América Latina – do moderno ao contemporâneo” na Abralic.

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Grupo de Pesquisa Bioescritas na Universidade de Zurique

Nesta semana, o nosso Grupo de Pesquisa esteve na Universidade de Zurique para o simpósio “Bioescritas/Biopoéticas: a estética entre a criação da vivência e a produção do vivo” em parceria com o grupo de pesquisa Biopoéticas.
O evento também contou com a participação dos poetas (RJ) e Ricardo Domeneck (Berlim) em uma performance poética no Cabaret Voltaire.
Abaixo, temos a programação e alguns registros do evento.


ATIVIDADES

PARTE I: SIMPÓSIO
Local: Universidade de Zurique
Rämistrasse 71, 8003 Zurique.
Sala: KOL-E-13

10:00 Sessão de Abertura – Jens Andermann (UZH) e Ana Chiara (UERJ)

10:30 Conferência – Nanne Timmer (Universiteit Leiden): Cuerpo y cartografías de la no-nación

11:30 Comunicações
Daniele Ribeiro Fortuna (UNIGRANRIO): Luto e escrita: difícil é o reino
Hannes Sättele (UZH): La poética infantil de Amuleto: Bolaño y el campo de sentido(s)

14:30 Comunicações
Marcelo dos Santos (UNIRIO): Jogo de cartas, jogos de cena: a dramatização de si e da nação a partir da correspondência de escritores brasileiros no exterior
Eduardo Jorge de Oliveira (UZH): Uma vitalidade maquínica na poesia brasileira contemporânea

16:00 Sessão de Encerramento – Jens Andermann e Ana Chiara

PARTE II: PERFORMANCE POÉTICA
Local: Cabaret Voltaire
Spiegelgasse 1, 8001 Zurique.

19:00 Invented Skins – Ricardo Chacal (Rio de Janeiro) e Ricardo Domeneck (Berlim)

Semana de encerramento do curso de extensão Práticas de Bioescritas

“Da UERJ que existe. 26/04/2017. Último dia do curso de extensão Práticas de Bioescritas. Foram oito encontros, nove oficinas de leitura crítica e produção de textos. Aqui, no Instituto de Letras da UERJ que existe e resiste.
Agradecer e abraçar os envolvidos: Ana Chiara, Marcelo Santos, Victor Santiago, Fabiana Farias, Luiz Nadal, Diego Ferreira, Fernanda Shcolnik, Diógenes Costa, Sab Rina Morei Ra, Pablo Miranda. Agradecimentos especiais a Ana Chiara (professora da UERJ e líder do grupo Bioescritas) e Marcelo Santos (professor da UNIRIO) que a mim confiaram a coordenação desta primeira turma. Outras virão! #UerjResiste#Bioescritas #SerUERJ

Leonardo Davino

Professor adjunto de Literatura Brasileira na UERJ e membro do Grupo de pesquisa Bioescritas.

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Curso de Extensão: práticas de Bioescritas

A partir do dia 3 de março, o Instituto de Letras da UERJ oferece o curso de extensão Práticas de Bioescritas, através da leitura crítica e produção de textos.
São oito aulas que acontecem às quartas, das 15h às 18h, no CULT/ILE/UERJ, do campus Maracanã, 11º andar. Alunos com mais de 80% de frequência às 20 horas-aula recebem certificados ao final do curso.
Para participar, basta enviar nome completo para o email leonardodavino@yahoo.com.br.
VAGAS LIMITADAS
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Relato sobre a Casa do Sol, por Fernanda Shcolnik

Na Casa do Sol, os dias se dilatam. Espraiam-se como ondas espumosas que contemplam os pés na areia. Lendas, mitos, sonhos… Alguns dias secos, outros ensolarados, outros de chuvas ou ventos frescos que zunem sentimentos nos ouvidos. Ver as estantes de pedra, concentrar-se à beira da figueira mágica, mentalizando desejos. Sentir seu nome por toda parte, ouvi-lo por horas a fio: Hilda… – é o som que se repete.

Entender por outro ângulo a história que se AscSOuMQKm0mFyBjb-GbQTx1i-SbgSnj4sb94OJCfsocfez aqui. Os fantasmas que habitam a casa se fazem presentes. Agda, Dionísio, Túlio. Zé e Dante. Entre histórias, ouve-se a Olga gritando pelos cachorros: “Balaaaa!!!”… “Gi-gi!!”. “Bo-bo!!”. Personagens do agora.

Querer mergulhar num rio de água gelada e límpida. Pedras, raios de sol. Deparar com versões diversas de uma mesma história: narrativas, construções – cada um carregando experiência própria de tudo que se fez aqui, através da casa, do espaço e do tempo.

A trilha são os cantos dos pássaros, incessantes. O vento, a presença dos cachorros, sempre próximos, sempre dentro. E os guardados: fotografias, livros, diários… Amontoados nos armários de pesada madeira, remontando a tempos que se transformaram nesse acúmulo de memória. Nomes ecoando no agora. No antigo quarto da escritora, imagens emolduradas. Bedecilda, Apolônio… Mil vezes Apolônio. E nas paredes, permanecem filósofos, pensadores, estáticos, à espreita.AipQEDJTOiPbZPpG79e5bJr9vw6-ZYpTuFEtOR8-ixzX

Uma casa ensombreada, porém cheia de luz. Nos dias de silêncios, escuto um trem. Tu não te moves de ti? Passo os dias deitada na rede, apenas sentindo, deixando fluir. Deixando correr em mim essa vivência, absorvendo aos poucos – o agora em liberdade infinita, se deixando acontecer.

Me alimento dos relatos, das imagens que vejo, do ambiente inteiro que vivencio: seus sons e suas vozes. Há alguma coisa de sagrado. Sagrado para mim, ainda esperando que tudo se assente na memória como alguma coisa que não sei dizer.

AmGTXo-BaeDJxvh47a97QFvu2lNQAyTeLAtvRR82dDvHPoemas, trechos, linhas inteiras, páginas escritas nesta casa. Amós, Tadeu, Hillé. Nomes que ecoam, rutilantes, no agora. Letras hebraicas junto aos budas e símbolos. Altares. Kadosh. Pedras, cordões, fotografias. As plantas, os quadros, as esculturas e os livros são todos peças dessa obra a quatro mãos, como a música ao piano, bela, sólida, permanecente…

O encantamento feito de mil marcas nas mesas, paredes, estantes. E outras invisíveis, que só se sentem ou intuem. O balanço na figueira, o portal de arabescos de ferro. Lembro de Caio e da Lygia. Tudo Hilst. Maravilhamentos por poder ver de perto o que antes era só fotografia. Os cães parecem entediados, mas seus olhos, ora tristes, ora atentos, permitem entender uma consciência maior. São olhos expressivos, esses seus olhos de cão.AiMYAmS8oDCz4A74L6qjua2VuIJJp-EaY2WEelZkalDs

E prostrados pelo calor lá fora, o céu de uma limpidez azul, percebem que a casa já é outra, o tempo inteiro mudando, caminhos, camadas, um abismo que se fez. Lacunas do tempo. A obra, a construção, tudo muda, tudo em processo. Mas a casa erguida, forte, firme. Cheia de luz. É um novo nome que dá o tom agora. Daniel. Nome de anjo.

O rosa das paredes impera junto às sombras feitas pela madeira escura e pela pouca luz. Querer se espraiar pela casa, transcender, ultrapassar limites através do pensamento e da imaginação. Permanecência sagrada nesta terra. Uma casa que é porto, símbolo, quarto, abrigo, espaço de criação. Livro e silêncio. Uma ilha conservando, em seu entorno, narrativas a desvendar.AmW_w2JvoaYAArvtyg8fvNr-kYbb0jxu-VnPnaP8AuGq

 

(Fernanda Shcolnik – outubro de 2015)